Por Thamiris Lucia
Todos nos lembramos do escândalo do assédio envolvendo Mc Biel em 2016. Um artista musical em ascensão na música brasileira é acusado de assediar uma repórter do portal IG.
A repórter em questão, Giulia Pereira de 21 anos sofreu assédio em duas entrevistas que fez com o cantor. Uma delas foi em vídeo, e depois uma em áudio feita para poder produzir um texto para seu trabalho.
A repórter estava entrevistando o cantor quando ele começou a assediá-la, e ao mesmo tempo usar o fato de que ele poderia assediar ou machucar a repórter como argumento de mérito pessoal para se afirmar como macho superior diante da equipe de entrevista como mostrado no áudio vazado na internet¹. A repórter, depois do ocorrido, relata em uma entrevista que o cantor chega a falar que a estupraria se ele não tivesse mais entrevistas no dia.
O resultado disso foi um ultraje nas redes sociais, tanto de populares, quanto de páginas feministas, quando Pereira foi demitida depois de tirar uma licença emocional para processar o assédio no local de trabalho (isso depois da empresa apoiá-la publicamente nos primeiros meses). Esses fatos impactaram negativamente a carreira do cantor, por questões de popularidade de uma figura pop, no entanto, o máximo que a vítima conseguiu foi um acordo que obrigasse o cantor a doar 4 mil para uma instituição de caridade, já que de acordo com a lei brasileira, ele não poderia ser processado por assédio por ela por falta de um vínculo empregatício. O fato que ela foi assediada em seu local de trabalho se torna irrelevante perante a lei.
Não vamos nos prender no fato que Mc Biel é um homem cis branco, conhecido por tweets racistas e sexista, que usa a palavra estupro livremente como solução para lidar com mulheres que ele coloque como ruins; mas vamos falar do sentimento de impunidade que a posição dele como homem e figura pública lhe proporcionam para que ele se sinta confortável em assediar uma repórter em uma entrevista gravada.
O caso de Mc Biel é uma exceção; os casos que vêm a tona de assédio são muito raros, os que não são abafados mais ainda. Embora não na mesma escala, devido à sociedade machista que estamos inseridos, os homens sentem-se bem confortáveis para assediar mulheres e também usar a violência sexual como arma. Perguntem-se, vocês conhecem uma mulher na vida de vocês que nunca foi assediada por um homem, ou ameaçada com estupro? Verbalmente, fisicamente, em casa, no seu local de trabalho?
Um estudo americano publicado no jornal científico Violence and Gender , constatou que um terço dos homens universitários estuprariam uma mulher em uma situação livre de consequências, isto é, se ninguém soubesse a não ser a vítima. Muitos deles também afirmaram que forçariam mulheres em situações sexuais sem consentimento, ou seja, quanto questionados sem usar a palavra estupro, muitos deles admitiram que não teriam problema em estuprar uma mulher.
Isso não é o caso do tal criminoso que se esconde em beco escuro esperando mulheres passarem e a sociedade como um todo entende que ele é perigoso. Esse uso da violência sexual não só rotineiro como também ferramenta de autoafirmação está presente na sociedade, vindo de homens comuns, que trabalham, são pais, irmãos, amigos e artistas, e não de um monstro abstrato desassociado da figura do homem que contribui para a sociedade.
Fontes:
https://www.youtube.com/watch?v=y_jR1_99ch4 http://www.independent.co.uk/news/world/americas/a-third- of-male- university-students- say-they- would-rape- a-woman- if-there- no-were- no-consequences- 9978052.html https://canaltech.com.br/noticia/redes-sociais/entenda- o-caso- biel-e- como-a- internet- pode-enterrar- toda-uma- carreira-em- minutos-75583/ http://entretenimento.r7.com/pop/mc-biel- se-envolve- em-mais- uma-polemica- e-e- acusado- de-cuspir- em-jornalista- 17062016 http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2016/10/biel-faz- acordo-com- jornalista-que- o- acusava-de- assedio-e- pagara-r- 4400-a- instituicao-de- caridade.shtml
Todos nos lembramos do escândalo do assédio envolvendo Mc Biel em 2016. Um artista musical em ascensão na música brasileira é acusado de assediar uma repórter do portal IG.
A repórter em questão, Giulia Pereira de 21 anos sofreu assédio em duas entrevistas que fez com o cantor. Uma delas foi em vídeo, e depois uma em áudio feita para poder produzir um texto para seu trabalho.
A repórter estava entrevistando o cantor quando ele começou a assediá-la, e ao mesmo tempo usar o fato de que ele poderia assediar ou machucar a repórter como argumento de mérito pessoal para se afirmar como macho superior diante da equipe de entrevista como mostrado no áudio vazado na internet¹. A repórter, depois do ocorrido, relata em uma entrevista que o cantor chega a falar que a estupraria se ele não tivesse mais entrevistas no dia.
O resultado disso foi um ultraje nas redes sociais, tanto de populares, quanto de páginas feministas, quando Pereira foi demitida depois de tirar uma licença emocional para processar o assédio no local de trabalho (isso depois da empresa apoiá-la publicamente nos primeiros meses). Esses fatos impactaram negativamente a carreira do cantor, por questões de popularidade de uma figura pop, no entanto, o máximo que a vítima conseguiu foi um acordo que obrigasse o cantor a doar 4 mil para uma instituição de caridade, já que de acordo com a lei brasileira, ele não poderia ser processado por assédio por ela por falta de um vínculo empregatício. O fato que ela foi assediada em seu local de trabalho se torna irrelevante perante a lei.
Não vamos nos prender no fato que Mc Biel é um homem cis branco, conhecido por tweets racistas e sexista, que usa a palavra estupro livremente como solução para lidar com mulheres que ele coloque como ruins; mas vamos falar do sentimento de impunidade que a posição dele como homem e figura pública lhe proporcionam para que ele se sinta confortável em assediar uma repórter em uma entrevista gravada.
O caso de Mc Biel é uma exceção; os casos que vêm a tona de assédio são muito raros, os que não são abafados mais ainda. Embora não na mesma escala, devido à sociedade machista que estamos inseridos, os homens sentem-se bem confortáveis para assediar mulheres e também usar a violência sexual como arma. Perguntem-se, vocês conhecem uma mulher na vida de vocês que nunca foi assediada por um homem, ou ameaçada com estupro? Verbalmente, fisicamente, em casa, no seu local de trabalho?
Um estudo americano publicado no jornal científico Violence and Gender , constatou que um terço dos homens universitários estuprariam uma mulher em uma situação livre de consequências, isto é, se ninguém soubesse a não ser a vítima. Muitos deles também afirmaram que forçariam mulheres em situações sexuais sem consentimento, ou seja, quanto questionados sem usar a palavra estupro, muitos deles admitiram que não teriam problema em estuprar uma mulher.
Isso não é o caso do tal criminoso que se esconde em beco escuro esperando mulheres passarem e a sociedade como um todo entende que ele é perigoso. Esse uso da violência sexual não só rotineiro como também ferramenta de autoafirmação está presente na sociedade, vindo de homens comuns, que trabalham, são pais, irmãos, amigos e artistas, e não de um monstro abstrato desassociado da figura do homem que contribui para a sociedade.
Fontes:
https://www.youtube.com/watch?v=y_jR1_99ch4 http://www.independent.co.uk/news/world/americas/a-third- of-male- university-students- say-they- would-rape- a-woman- if-there- no-were- no-consequences- 9978052.html https://canaltech.com.br/noticia/redes-sociais/entenda- o-caso- biel-e- como-a- internet- pode-enterrar- toda-uma- carreira-em- minutos-75583/ http://entretenimento.r7.com/pop/mc-biel- se-envolve- em-mais- uma-polemica- e-e- acusado- de-cuspir- em-jornalista- 17062016 http://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2016/10/biel-faz- acordo-com- jornalista-que- o- acusava-de- assedio-e- pagara-r- 4400-a- instituicao-de- caridade.shtml
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